Bordeaux – História

Bordeaux  •  Vinhos e Gastronomia  •  História

Durante a conquista romana da Gália por Júlio César, a população que lá residia era chamada de ibérica pelo imperador romano. Na verdade eram os vascones, prováveis antepassados dos bascos. Não se sabe ao certo em que época os bascos começaram a habitar a região (basques em francês). A Aquitânia foi conquistada pelos romanos em 56 a.C. por Marco Licínio Crasso a mando de Júlio César. Sob o Império Romano faziam parte da Aquitânia o sudoeste da Gália dos Pirenéus ao vale do rio Loire incluindo Auvergne. Saintes e Bordéus foram capitais da Gália Aquitânia.

A produção de vinhos, provavelmente, teve início por volta do ano 48 a.C, durante a ocupação romana de St. Émilion, quando o Império romano estabeleceu vinhedos para o cultivo de vinho para seus soldados. Entretanto, apenas em 71 d.C, foram registradas as primeiras evidências da existência de vinhedos na região de Bordeaux. As primeiras grandes extensões de vinhedos franceses, criados por Roma, em torno de 122 d.C, localizavam-se na atual região de Languedoc.

Na idade média, os visigodos chegaram a região em 412-413 vindos de Provença e da Itália. A região foi posteriormente conquistada pelos francos e finalmente estruturada como Ducado independente, Ducado da Aquitânia.

No século XII, a duquesa Alienor d’Aquitânia casou-se com o rei Luís VII com quem teve duas filhas. O casamento foi anulado com a alegação de laços de consanguinidade, causa frequente quando a nobreza queria desfazer um casamento, porque Leonor queria se casar novamente mas com o rival de Luís VII, o rei inglês Henry II. Com a morte de Henry II, seu filho Ricardo, o Coração de Leão assumiu o trono e o título de Duque de Aquitânia.

Embora popular no mercado doméstico, o vinho francês era raramente exportado, devido à extensão das áreas cultivadas e volume da produção serem relativamente baixos. No século XII, porém, a popularidade dos vinhos bordaleses cresceu vertiginosamente depois do casamento de Henry II e Aliénor d’Aquitaine.

Ao mesmo tempo em que a popularidade dos vinhos crescia, os vinhedos se expandiam para comportar a demanda do exterior. Sendo Henry II o beneficiário dos impostos na região, e desejando ele o incremento da indústria do vinho, os impostos de exportação para a Inglaterra foram abolidos. Entre os séculos XIII e XIV, um código de práticas comerciais chamado Política de vinhos foi estabelecido para conferir, ao vinho da região, vantagens comerciais perante regiões circunvizinhas.

Um século mais tarde a França e a Inglaterra se enfrentaram na Guerra dos Cem Anos (1337 – 1453) motivada quando o rei inglês Eduardo III (descendente da dinastia Plantageneta e do rei Henrique II) reivindicou o trono de França. Com o fim da guerra a Aquitânia passou a fazer parte definitivamente de França.

Em 1725, a propagação intensa de vinhedos por toda a região de Bordeaux fez necessária a implementação de divisões da região em áreas específicas, assim, o consumidor poderia saber, exatamente, onde havia sido produzido cada vinho. O ajuntamento desses novos distritos era conhecido como Vinhedos bordaleses e as garrafas eram rotuladas com o selo da região e do distrito onde foram produzidos os vinhos.

Devido a natureza lucrativa do negócio, outras áreas na França iniciaram a cultura de vinhedos, rotulando-os como produtos bordaleses. Como os lucros na região da região de Bordeaux esmaeciam, os vitivinicultores exigiram do governo uma lei que determinasse apenas os produtores dessa região habilitados a usar essa denominação de origem.

Em 1936, o governo atendeu aos apelos dos produtores e dispôs, através de lei, que todas as regiões vitivinícolas francesas deveriam indicar no rótulo das garrafas a região onde foi o vinho produzido.