Bordeaux – Vinhos e Gastronomia

Bordeaux  •  Vinhos e Gastronomia  •  História

A região de Bordeaux, na França, é a segunda maior área de cultivo de vinhos em todo o  mundo, com 284.320 acres de vinhedos e treze mil viticultores. Apenas a região do Languedoc, também na França, é maior.

Com uma produção anual de mais de 700 milhões de garrafas, Bordeaux produz uma quantidade enorme de vinhos de mesa para o dia-a-dia, bem como os mais caros e prestigiados vinhos do mundo. Os vinhos tintos e doce branco (Sauternes) fundamentam a reputação dos vinhos bordaleses, ainda assim, Bordeaux produz vinhos brancos, vinhos rosés e vinhos espumantes.

A maior razão para o sucesso da produção vinícola bordalesa é o ambiente excelente para o desenvolvimento de vinhedos. A base geológica do solo da região é de pedra calcária, o que representa um solo de estrutura rica em cálcio. Os cursos dos rios Garonne e Dordogne, que irrigam a terra, e o clima litorâneo, que propicia umidade à atmosfera, concorrem para a criação de um ambiente quase perfeito para a cultura de vinhedos.

As principais castas tintas cultivadas são:

Cabernet Sauvignon: Casta de amadurecimento mais tardio, precisa de solos mais quentes e secos do tipo arenoso (Médoc e Graves). Empresta ao vinho a capacidade de guarda, os taninos, a acidez e aromas de frutas vermelhas e pimenta.

Merlot: É a casta tinta mais cultivada em Bordeaux. Amadurece mais cedo, precisa de solos mais frescos e argilosos (Pomerol e Saint-Emilion). Responsável pela cor, álcool, maciez e redondeza. Origina vinhos encorpados que evoluem mais rápido e que apresentam aromas de caça e “sous-bois”.

Cabernet Franc: Casta menos utilizada, porém muito importante. Também é responsável pelo álcool nos vinhos. Os aromas tendem para terrosos e animal. É muito cultivada em Saint-Emilion.

Bordeaux possui 57 AOC’s que estão agrupadas nas principais sub-regiões. As melhores são:

Médoc: Significa “terra do meio” porque está localizada entre o Atlântico e o estuário do Gironde. O solo é pobre, filtrante e quente, perfeito para a maturação completa da Cabernet Sauvignon. Seus vinhos são mais robustos, encorpados e com excelente potencial de guarda. Possui 08 denominações: Médoc e Haut-Médoc (regionais); Saint-Estèphe, Pauillac, Saint-Julien, Listrac-Médoc, Moulis e Margaux.

Graves: Região abaixo da cidade de Bordeaux que acompanha o curso do Garonne. O solo é mais arenoso e argiloso, produzindo vinhos tintos mais encorpados. Sua melhor denominação é Pessac-Léognan.

Sauternes e Barsac: Está localizada a 40 Km ao sul da cidade de Bordeaux. Possui um micro-clima muito particular que propicia o aparecimento do fungo Botrytis Cinérea. Esse fungo é responsável pelo ataque às uvas e conseqüentemente, ao aparecimento do famoso vinho de sobremesa Sauternes. Sua principal casta é a Sémillon.

Entre-Deux-Mers: Está situado entre os rios Garonne e Dordogne, em encostas suaves e pequenos vales. A região produz mais brancos que tintos e as principais castas são: Sémillon e Sauvignon Blanc.

Libournais: Esta região localiza-se na margem direita do rio Dordogne, ao redor da cidade de Libourne. Seus vinhos são quase que exclusivamente tintos e a casta predominante é a Merlot. As principais denominações são: Saint-Emilion, Pomerol e Fronsac.

Classificações

A tipicidade dos vinhos e vinhedos de Bordeaux se deve a existência de uma hierarquia entre os diferentes terrenos (crus) das várias denominações. Existem muitas sub-regiões, apelações e châteaux, portanto, seria melhor dividirmos os vinhos em 03 categorias:

Genéricos: São os vinhos (brancos, rosés e tintos) que podem ser feitos em qualquer parte de Bordeaux. Correspondem hoje por aproximadamente 45% da produção. Exemplo: Bordeaux Rouge e Bordeaux Supérieur.

Regionais: São os vinhos feitos numa sub-região específica. Exemplo: Médoc, Haut-Médoc, Graves e Sauternes.

Comunais: São os vinhos mais procurados. Além de pertencerem a uma sub-região específica, indicam a comuna (lugarejo) onde foram feitos. Exemplo: Margaux, Pauillac e Pomerol.

O termo “cru” surgiu na Borgonha e indica uma determinada parcela de terra (terreno) que produz um vinho específico cuja características se repetem nas mais variadas safras. Ou seja, na Borgonha, é o terreno que recebe a denominação de “cru”. Em Bordeaux é diferente. É a propriedade (chateau) que recebe a classificação.

Em 1855, por conta da Exposição Universal de Paris de 1856, o sindicado dos corretores de vinhos de Bordeaux classificou apenas os vinhos do Médoc com base no preço. Foram classificados 58 vinhos (propriedades) em 05 crus: Premiers Cru, Deuxièmes Cru, Troisièmes Cru, Quatrièmes Cru e Cinquièmes Cru. Hoje são 61 vinhos.

Acontece que muitos vinhos ficaram de fora. Esse descontentamento fez surgir o “Syndicat des Crus Bourgeois du Médoc” que criou uma lista paralela dos outros bons produtores. Em 2003 essa lista se tornou oficial. Foram classificados mais 247 produtores do Médoc. Essa classificação divide os vinhos em 03 categorias: Crus Bourgeois Exceptionnels (9), Crus Bourgeois Supérieurs (87) e Crus Bourgeois (151).

Ainda em 1855, a classificação também atendeu à região de Sauternes-Barsac.

Em 1953 (reeditado em 1959), a região de Pessac-Léognan se separou de Graves e recebeu a demarcação dos seus vinhedos (crus).

Em 1954 a região de Saint-Emilion recebeu a demarcação dos seus vinhedos (crus). A cada 10 anos é feita uma nova avaliação. A classificação dos melhores é: Premier Grand Cru (“A” e “B”), Grand Cru Classé e Grand Cru.

Pomerol é uma denominação muito pequena que ainda não possui uma classificação. Mesmo assim, produz alguns vinhos realmente excepcionais.

Gastronomia

O Sudoeste da França é normalmente o primeiro lugar nas pesquisas ao eleger uma região francesa como “onde se come o melhor”. Aqui, dizem: os filhos nascem com uma colher na mão. A cozinha é à base de produtos regionais: foie gras, confits, cous farcis…Os produtos do mar não ficam de lado: ostras de Arcachon, sardinhas de Saint-Jean-de-Luz, peixes da Gironde… Ao fim da refeição , les cabicous (queijo de cabra) e a “Tome de brebis dos Pirineus” (acompanhada com geléia de cerejas negras ou com geléia de marmelo) estão em todas as mesas.

O canelé: doce refinado, cozido em um pequeno molde de cobre que lhe dá a forma de seu nome. Sua apetitosa cor “tête brûlée” e sua fina crosta caramelizada formam uma camada cremosa e derretida. As irmãs da Santa Eulalie o fabricavam em seu convento no século passado; o bouchon: um « petit four » de amêndoas e de uvas meia-confeitadas e perfumadas com Fine de Bordeaux (álcool) cuja forma assimila-se a verdadeiras rolhas; o mascaron: chocolate típico que faz homenagem à arquitetura clássica de Bordeaux. O mascaron é uma ornamentação da fachada de origem italiana que fez sua aparição no final do século XVI. Caracterizado por uma moldagem à imagem das expressões e detalhes desta arquitetura  (sorridente, sonhador ou muitas vezes alegre), o mascaron é um chocolate fundido, bastante suave e molhado, que possui aromas de uva e de  vinho misturado com chocolate.