Provence – História

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Marselha foi fundada em c. 546 a.C. por colonos gregos oriundos da cidade de Focéia (atual Foça, na Turquia), que fugiam de uma invasão persa. Com o nome de Massália, o assentamento tornou-se um dos principais portos comerciais do mundo antigo. Os foceenses também estabeleceram colônias em Nice, Arles, Cannes e no sul de Nîmes.

Posteriormente a região veio a ser ocupada pelos lígures e pelos celtas. A partir do século II a.C., foi conquistada pelos antigos romanos e passou a ser uma província do Império Romano. Este fato é a origem do nome, do latim PROVINCIA (“província”), pois a Provença foi uma das primeiras áreas conquistadas pelos romanos fora da Itália. O cristianismo chegou cedo à Provença e, na altura do século III, a região já era consideravelmente cristã, com diversos mosteiros e igrejas em construção.

A Provença sofreu com a queda do Império Romano do Ocidente, devido às seguidas invasões: dos visigodos no século V, dos francos no século VI e dos árabes no século VIII, bem como incursões de piratas bérberes. Passou em seguida às mãos dos condes de Toulouse, como feudo dos condes de Barcelona (os futuros reis de Aragão).

Em 973, o conde Guilherme I derrotou os piratas árabes baseados em Fraxinetum na batalha de Tourtour e assumiu o título de Pater Patriae. De 1032 a 1246, o país integrou o Sacro Império Romano. Tornou-se um feudo da coroa francesa em 1246, governado pela dinastia angevina. Com a morte de Carlos do Maine em 1481, a Provença foi herdada por Luís XI. Embora definitivamente incorporada ao domínio real francês em 1486, continuaram a existir alguns enclaves importantes dentro da Provença, como Orange, controlada pela Casa de Orange-Nassau até 1672; o Comtat Venaissin, baseado em Avignon e sob domínio papal até 1791; e Nice e Menton, que somente foram integradas à Provença em 1860.

O extinto título de conde da Provença pertenceu sucessivamente a famílias locais de origem frâncica, à Casa de Barcelona, à Casa de Anjou e a um ramo da Casa de Valois.

Durante a Idade Média, a região se encontrou ligada por laços dinásticos à península Ibérica (Portugal).

O Palácio dos Papas (em francês Palais des Papes) em Avignon, França, é uma das maiores e mais importantes construções góticas da Idade Média na Europa. Ao mesmo tempo fortaleza e palácio, a residência pontifícia foi, durante o século XIV, a sede da cristandade do Ocidente. Avignon tornou-se na residência dos Papas em 1309, quando o Papa Clemente V, não querendo voltar a Roma depois do caos da sua eleição, mudou a Corte Papal para Avignon. No palácio de Avignon realizaram-se seis conclaves, dos quais resultaram as eleições dos papas Bento XII, em 1335; Clemente VI, em 1342; Inocêncio VI, em 1352; Urbano V, em 1362; Gregório XI, em 1370; e do anti-papa Bento XIII, em 1394.

O palácio, que resulta da fusão de dois edifícios – o palácio velho de Bento XII, verdadeira fortaleza assente sobre o inexpugnável rochedo dos Doms, e o palácio novo de Clemente VI, o mais faustoso dos pontífices de Avignon – é, não somente, um dos maiores edifícios góticos, mas também aquele em que se exprimiu o estilo gótico internacional em toda a sua plenitude. É o fruto, pela sua construção e ornamentação, do trabalho conjunto dos melhores arquitectos franceses, Pierre Peysson e Jean du Louvres (apelidado de Loubières), e dos maiores pintores de afresco da Escola de Siena, Simone Martini e Matteo Giovanetti.

Além disso, a biblioteca pontifícia de Avignon – a maior da Europa, na época, com os seus dois mil volumes – cristalizou à sua volta um grupo de cléricos apaixonados pelas belas letras na continuidade de Petrarca, o fundador do humanismo, enquanto a capela clemetina, apelidada de Grande Capela, atraía compositores, chantres e músicos.[3] Foi lá que Clemente VI apreciou a Messe de Notre Dame (Missa de Nossa Senhora), de Guillaume de Machaut; que Philippe de Vitry, a seu convite, pôde dar a plena medida à sua Ars Nova e para onde Johannes Ciconia foi estudar.

O palácio também foi o lugar que, pela sua amplitude, permitiu “uma transformação geral do modo de vida e organização da Igreja”. Facilitou a centralização de serviços e a adaptação do seu funcionamento às necessidades pontifícias, permitindo criar uma verdadeira administração. Os efetivos da Cúria, de 200, no final do século XIII, passaram a 300 no início do século XIV, para chegar a 500 pessoas em 1316. A esses, juntavam-se mais de um milhar de funcionários laicos que podiam trabalhar no interior do palácio.

No entanto, aquilo que, pela sua estrutura e funcionamento, havia permitido à Igreja adaptar-se “para que ela pudesse continuar a cumprir eficazmente a sua missão tornou-se obsoleto quando os pontífices de Avignon julgaram necessário regressar a Roma. A esperança numa reconciliação entre os cristianismos latino e ortodoxo, juntamente com a consumação da pacificação dos Estados Pontifícios na Península Itálica, forneceram as bases reais para esse regresso.

A estes fatos, juntou-se a convicção de Urbano V e Gregório XI de que a sede do papado não podia estar senão no lugar onde se encontra a sepultura de Pedro, o primeiro pontífice. Apesar das dificuldades materiais, da oposição da Corte de França e das fortes reticências do Colégio dos Cardeais, ambos se dotaram de meios para regressar a Roma; o primeiro deixou Avignon no dia 30 de Abril de 1362 e o segundo no dia 13 de Setembro de 1376, sendo desta vez a instalação definitiva.

Durante a Revolução Francesa, foi saqueado pelas forças revolucionárias. Em 1791, tornou-se no local de um massacre de contra-revolucionários, cujos corpos foram atirados para a Torre das Latrinas (Tour des Latrines), localizada na parte velha do palácio.

O Palácio foi depois tomado por Napoleão e utilizado como quartel e prisão. Durante a Terceira República Francesa, muitas das obras de arte e afrescos foram destruídos ou cobertos. Em 1906, tornou-se num museu nacional e permanece em constante restauro, mas aberto ao público.

A partir de 1995, o Palácio dos Papas, juntamente com o Centro Histórico de Avignon, passou a estar classificado na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, com os critérios culturais.