Toscana – História

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Habitada pelos etruscos, ligou-se definitivamente à Roma em finais do século IV a.C.. O seu nome Toscana, provém de “Tusci”, ou tuscos, nome que se aplica também aos etruscos. Pela sua posição geográfica certamente viveu de muito perto as convulsões que agitaram a República Romana, depois o Império Romano e ainda os reinos dos bárbaros.

O domínio pelos francos

Os francos ocuparam esta região em 774, que ficou sob a posse dos Condes de Lucca (mais tarde, marqueses da Toscana). Estes, bastante influentes na vida política da península Itálica, ao ponto de interferir com as eleições papais, terminaram a sua dinastia com a condessa Matilde, que legou o território em testamento aos Estados Pontifícios. O Império germânico, então em luta contra os Estados Pontifícios, negou a validade desse testamento. A salvo destas lutas, a Toscana viu as suas principais cidades emancipar-se e a reclamar independência. Com a luta entre guelfos e gibelinos, Lucca, Pisa e Pistoia ficaram do lado dos primeiros e Florença pelos segundos. Se Pisa era então a cidade mais influente da Toscana, a sua sorte modificou-se em 1284, com a Batalha de Meliora, que marcou a ascensão de Florença. Esta cidade alargou a sua influência, sucessivamente, entre as cidades de Pistoia (1301), Volterra (1361), Arezzo, (1384) e Pisa, em 1405. Lucca e Siena mantiveram-se independentes.

Os Médici

A família Médici foi uma poderosa família de Florença durante a Renascença, cujas riqueza e influência se originaram do comércio de têxteis e pela guilda da Arte della Lana. Tornando-se banqueiros, e posteriormente políticos, clérigos e nobres, os Médici atingiram o seu apogeu entre os séculos XV e XVII com um conjunto de figuras importantes na história da Europa e do Mundo. A linhagem direta dos Médici extinguiu-se em 1737.

Imensamente ricos, governantes não oficiais da República de Florença; soberanos reconhecidos da Toscana, teriam tido origem no Senhor del Muggello, que teve um filho, Giambuono de Médici, nascido cerca 1140, pai por sua vez de dois filhos: Chiarissimo de Médici, vivo 1201 e Bonagiunta.

O ramo primogênito da família – os que descendem de Pedro de Cosmo de Médici e do seu filho Lourenço de Médici, o Magnífico – governaram até ao assassinato de Alexandre de Médici, primeiro duque de Florença, em 1537. O poder passou então para o ramo dito júnior – os que descendem de Lourenço de Cosmo de Médici a partir do seu trineto Cosmo I de Médici.

Além da política e governação, os Médici notabilizaram-se em outros campos, principalmente no mecenato.

Lourenço de Médici

Lorenzo de’ Médici; Florença, 1 de janeiro de 1449 – Careggi, 9 de abril de 1492) foi um estadista italiano, soberano de facto[1] da República Florentina durante o Renascimento italiano. Conhecido como Lourenço, o Magnífico (Lorenzo il Magnifico) por seus contemporâneos florentinos, foi um diplomata, político e patrono de acadêmicos, artistas e poetas. Sua vida coincidiu com alguns dos pontos altos do início do Renascimento na Itália, e sua morte marcou o fim da chamada Idade de Ouro de Florença. A paz frágil que ele ajudou a manter entre os diversos Estados italianos entrou em colapso depois de sua morte. Está enterrado na Capela Medicéia, em sua cidade natal.

Biografia

Neto de Cosme de Médici (o Velho), era filho de Pedro de Cosme de Médici e de Lucrécia Tornabuoni. Casou-se em 4 de junho de 1469 com Clarice Orsini, chamada Leo, nascida em 1450 e morta em 20 de julho de 1488. Era filha de Giacomo Orsini di Monterotondo. Teve sete filhos, dos quais João de Lourenço de Médici (futuro Papa Leão X). Com a morte de seu pai, em 1469, Lourenço e seu irmão Juliano, foram designados “príncipes do Estado” (em italiano principi dello Stato).

O futuro parecia tranquilo até que em 1478 aconteceu a conspiração dos Pazzi, assim chamada em alusão à família envolvida no movimento, na verdade instigado pelos Salviati, banqueiros do Papa Sisto IV, inimigo dos Médicis. Foi feito um plano para matar os dois irmãos Medici no Duomo de Florença, durante a missa, em 26 de abril, um domingo de Páscoa. Juliano morreu, Lourenço escapou, embora ferido, salvo pelo poeta Poliziano, que o trancou na sacristia.

Os autores do plano, entre eles Francesco Salviati, arcebispo de Pisa, foram linchados pelo povo enfurecido. O Papa Sixto IV, cujo sobrinho Girolamo Riario era cúmplice, interditou a cidade de Florença por causa dos assassinatos de Salviati e dos Pazzi, apoiado pelo rei de Nápoles, Fernando I, conhecido como Dom Ferrante.

Sem ajuda de seus tradicionais aliados de Bolonha e Milão, Lourenço partiu sozinho para Nápoles, em 1480, colocando-se nas mãos de Don Ferrante. Este o manteve cativo durante três meses, antes de libertá-lo com muitos presentes. Graças a sua coragem e talento diplomático, Lourenço convenceu Don Ferrante de que o Papa poderia também voltar-se contra ele, caso obtivesse muito sucesso no norte. Assim, firma-se a paz ainda em 1480. Com isso, Lourenço forçava o papa a também aceitar a paz. Segundo Maquiavel, Lourenço expôs a própria vida para restaurar a paz, indo pessoalmente negociar condições favoráveis. E mesmo depois de seu êxito, recusou tudo – desejou ser apenas o mais ilustre dos cidadãos de Florença. Com exceção de Siena, toda a Toscana passara a aceitar o governo de Florença, que oferecia o espetáculo de um extenso principado, governado por uma república de cidadãos livres e iguais.

Em geral, Lourenço manteve a política de seu avô, embora tenha sido menos prudente e mais disposto à tirania. Dotado de grande inteligência, governou em um clima de prosperidade pública, aumentando a influência de sua família por toda a Itália, e manteve as instituições republicanas em Florença, ainda que só na aparência: na verdade, Lourenço foi virtualmente um tirano. Utilizava-se de espiões, interferia na vida privada dos cidadãos mas conseguiu levar o comércio e a indústria de Florença a un nível superior ao de qualquer outra cidade européia.

Disseram dele: “Dirigiu sua hábil diplomacia de modo a obter paz na península, mantendo os cinco Estados principais unidos diante da ameaça crescente de uma invasão vinda dos Alpes. Florença não poderia ter um tirano melhor ou mais agradável, e o mundo jamais viu outro patrono de artistas e letrados como ele.”

Protetor de escritores, sábios e artistas, foi o impulsor das primeiras imprensas italianas. Lourenço iniciou o movimento renascentista, que rejeita a ciência escolástica e teológica, para valorizar a pesquisa e a busca do sentido da vida, colocando o Homem no centro do Universo. Seu palácio tornou-se o centro de uma cultura que, partindo da redescoberta da Antiguidade grega e latina, levará a um extraordinário florescimento das artes e das letras. Os maiores artistas e literatos frequentavam a sua corte, mas o que distinguia Lourenço de outros mecenas da época era a sua ativa participação intelectual nas atividades que promovia. Foi um elegante escritor em prosa e um poeta original. Os filósofos Marsílio Ficino e Pico della Mirandola, os poetas Pulci e Poliziano e grandes artistas como Botticelli e Ghirlandaio, eram seus hóspedes habituais. Michelangelo iniciou seus estudos em um ateliê patrocinado por Lourenço.

A paz de Lodi (1454), que havia colocado um fim às disputas entre Veneza e Milão, havia trazido o equilíbrio entre os estados italianos. Em grande parte, tal equilíbrio foi mantido graças às habilidades diplomáticas de Lourenço, considerado “o fiel da balança”. De fato, procurava proteger o eixo formado por Florença, Milão e Nápoles das ambições venezianas e da ambigüidade papal. O clima de relativa paz também favoreceu o Renascimento.

Organizador de festas suntuosas, seus gastos excessivos puseram em perigo a fortuna dos Médici e despertaram a ira de Jerônimo Savonarola. Ao final da vida, Lourenço entrou em conflito com Savonarola, mas a lenda que este lhe recusou absolvição antes de morrer a menos que restaurasse a liberdade da cidade de Florença é afastada pelos historiadores — é mesmo lenda.

Após sua morte, seu filho e sucessor Pedro II (Piero) (1471-1503) é expulso de Florença por uma revolta instigada por Savonarola, em 1494. O equilíbrio político é rompido e as rivalidades entre os estados italianos acabaram por dar espaço ao envolvimento de potências estrangeiras nas disputas.

Arte e arquitetura

Um legado importante dos Médici foi deixado na arte e arquitetura. João de Bicci de Médici, primeiro patrono das artes na família, apoiou Masáccio e mandou reconstruir a Basílica de São Lourenço. Cosme de Médici foi mecenas de Donatello e Fra Filippo Lippi. A família apoiou também Michelangelo, que para os Médici produziu numerosas obras. Mecenas, eram grandes colecionadores de arte, e as suas aquisições hoje formam o núcleo da magnífica Galeria dos Uffizi, em Florença.

Na arquitetura, foram responsáveis por notáveis intervenções em Florença, incluindo a referida galeria dos Uffizi, o Palácio Pitti, os jardins Boboli e o Belvedere.

Pouco a pouco, a Toscana passa para as mãos dos Médici, de Florença. Estes chegaram ao poder em 1421. Afastados por duas vezes (de 1495 a 1512 e de 1527 a 1530), conseguiram sempre retomar o poder na cidade e na região. O Ducado de Florença foi criado por Carlos V, em 1531, a pensar em Alexandre de Médici (“o Mouro”). Cosimo I de Médici, filho de Giovanni dalle Bande Nere, tornou-se duque em 1537 e, com a aquisição de Siena, em 1559, sob a paz de Cateau-Cambrésis, nasceu o Grão-ducado da Toscana. Em 1569, os membros da família receberam o título de grão-duques da Toscana, por decisão do papa Pio V.

Grão Duque Cosimo de Medici

Cosimo morreu em 1574, continuando a sucessão da família Médici até Gian Gastone (1723 – 1737), com a morte do qual, sem herdeiros, o grão-ducado passou para a família de Lorena. Estanislau Leszczynksi ficou com o território de Lorena e a Toscana foi dada a Francisco Estêvão de Lorena (Franscisco II da Toscana), casado com Maria Teresa, arquiduquesa da Áustria, como compensação pela perda. Em 1745, a casa dos Habsburgo-Lorena passou a ser da casa de Áustria, sendo eleitos para tomarem posse do Sacro Império Romano-Germânico em 1747, mantendo, contudo, a posse da região italiana. Sucedeu a Francisco, Leopoldo I (1765 – 1790) que, ao tornar-se imperador, resignou em 1790 a favor do seu filho, Fernando III.

Reino da Etrúria

Os franceses ocuparam a região em 1799, sem grande sucesso: o povo revoltou-se e expulsou os estrangeiros. Em Outubro de 1800, com a Batalha de Marengo, os franceses voltaram a ocupar o território. Em 1801, Napoleão integrou-a ao reino da Etrúria, sendo concedida a Luís de Bourbon, descendente do último duque de Parma.

A Toscana no Império Francês

Em 1807, a Toscana foi incorporada ao Império Francês, constituindo os três departamentos do Arno, Ombrone e Mediterrâneo. Em 1809, Napoleão nomeou como grã-duquesa a sua irmã, Elisa Baciocchi. Esta foi afastada em 18 de Setembro de 1814, com o regresso de Fernando III, que restaurou o Grão-Ducado.

O Grão-ducado da Toscana

Em 1814, o Grão-ducado da Toscana foi restaurado sob Fernando III da Toscana. De novo nas mãos dos Habsburgos (Leopoldo II sucedeu a Fernando, de 1824 a 1859; e Fernando IV de 1859 a 1860). Em 1847, o Ducado de Lucca foi anexado pelo Grão-ducado da Toscana.

Em 1848, houve uma revolução que teve como resultado a instauração da República, em Fevereiro de 1849, sob o triunvirato de Mazzini, Guerazzi e Montanelli. Leopoldo II, então no poder, foi deposto do poder com a intervenção da Áustria em Julho do mesmo ano.

Anexação ao Reino de Itália

Em 1859, com a guerra entre o Reino da Sardenha-Piemonte e o Império Austríaco, o povo toscano rebelou-se e obrigou Fernando IV a pedir asilo em Viena, a 27 de Abril de 1859. Em 1860, foi assimilada pelo Reino da Itália, após um plebiscito.

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