História – Porto & Douro

Porto & Douro  •   Vinhos e Gastronomia   •   História

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Muito antes de qualquer presidente, rei ou imperador, o Douro era uma terra sem governo, habitada por povos primitivos, que foram os primeiros a deixar os seus vestígios na região. As pinturas rupestres do Vale do Côa inserem-se no período Paleolítico superior, há cerca de 20 mil anos.

Com a chegada dos romanos, no século I d.C., a agricultura intensificou-se na região, algo possibilitado pela rede de estradas e pelas numerosas pontes que o Império construiu. A uva começou a adquirir uma elevada importância, existindo vilas agrárias dedicadas exclusivamente à produção de vinho, algo que patente na estação arqueológica do Alto da Fonte do Milho, no Peso da Régua.A presença da uva na região remonta há 4 mil anos (século XX a.C.), tendo sido encontradas grainhas carbonizadas, em estações arqueológicas da região. Muitos dos castros existentes na região, como o Castro de Cidadelhe, em Mesão Frio, datam dessa época.

A partir do século V as terras durienses foram ocupadas por suevos e visigodos, que acabaram por se unir e cristianizar. Seguiram-se os muçulmanos, depois do século VIII. Após a implantação do reino português, a 5 de outubro de 1143, pelo Tratado de Zamora, iniciou-se a construção da Sé de Lamego, sob a proteção de D. Afonso Henriques (1109-1185), o primeiro rei português, responsável pela independência deste país.

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Durante a Baixa Idade Média, nos séculos XII e XIII, a Ordem de Cister instala-se na região, construindo mosteiros como o de São Pedro das Águias, em Tabuaço, que contribuiu para o desenvolvimento agrícola da região, criando diversas granjas nas encostas do Douro.

Com a prosperidade comercial e económica da região, instalada desde o século XIII, a produção do vinho continuou a desenvolver-se, graças ao seu transporte para o Porto, através do rio Douro, com um leito alargado, depois da demolição dos canais de pesca, a mando do rei D. Manuel I (1469-1521) . Das descobertas marítimas (séculos XV e XVI), resultou um aumento da circulação no rio, uma vez que as viagens requeriam grandes quantidades de vinhos fortes para saciar os marinheiros.

Entre os séculos XVII e XIX a Inglaterra passou a ser o principal consumidor dos vinhos produzidos no Douro, o que resultou na assinatura do Tratado de Methuen, em 1703, no qual o Reino Unido concedia direitos preferenciais aos vinhos portugueses, com a contrapartida de Portugal permitir a entrada livre dos tecidos britânicos, no mercado nacional. A elevada procura dos vinhos durienses pelos ingleses resultou  numa adulteração da qualidade dos vinhos, misturando-os com outros mais baratos, o que reduziu a sua qualidade, mas, em contrapartida, atribuiu mais lucro ao comerciante. As relações atribuladas entre produtores, comerciantes portugueses e negociantes estrangeiros agravaram-se com a crise no setor vinícola, a meados do século XVIII, provocada por uma baixa procura dos vinhos.

Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), mais conhecido por Marquês de Pombal, viria a mudar a situação económica da região, ao criar a primeira região vitícola regulamentada do mundo, demarcando o Douro Vinhateiro (1757-1761), através da colocação de grandes marcos de granito, no terreno, com a palavra “Feitoria”. O Secretário de Estado do Reino criou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (CGAVAD) em 1756, vindo a obter a exclusividade na venda do vinho do Porto.

vidaboa_viagens_porto7O Marquês de Pombal, viu-se envolvido numa trágica histórica com uma das famílias mais importantes do reino e da região do Douro, os Távoras. Esta família, com um legado centenário, detinha propriedades na zona do rio Távora, em Mogadouro, em São João da Pesqueira e em Mirandela. O chefe da família, D. Francisco Assis de Távora (1703-1759), detinha os títulos de 3.º Marquês do Távora, 3.º Conde de Alvor e 6.º Conde de São João da Pesqueira, e fora Vice-Rei da Índia entre 1750 e 1754. Em 1758, a família dos Távoras foi acusada de tentativa de regicídio, por um atentado ao rei D. José I (1714-1777), que foi ferido com um tiro num braço. D. Francisco e seus dois filhos foram queimados e sua irmã, D. Leonor, foi decapitada. Os restantes elementos da família foram presos, tendo sido soltos durante o reinado de D. Maria I (1734-1816), que acreditava na inocência dos Távoras. A primeira rainha de Portugal alargou a região demarcada do Douro, entre 1788 e 1793, antes de ser estendida até à fronteira espanhola, em 1907, pelo governo de João Franco (1855-1929).

O século XIX, no Douro, foi marcado pelas doenças que se abateram sobre as vinhas como o oídio e a filoxera, acabando por contribuir para um desenvolvimento na viticultura na região, devido a inovações biológicas e químicas, como forma de evitar essas doenças. Ainda no mesmo século, iniciou-se a construção das linhas ferroviárias, que facilitaram a ligação entre o Porto e a fronteira de Espanha.

A paisagem atual da região do Douro, caracterizada pelos socalcos, foi construída durante a década de 70, com a aplicação de novas técnicas de plantio da vinha, em patamares, com muros de xisto a delimitar cada nível. Esta alteração da paisagem pela atividade humana, contribuiu para que o Alto Douro Vinhateiro fosse considerado Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, em 2001.

O património rico e a história milenar do Douro contribuíram para a criação de vários museus na região como o Museu do Douro (1997) e o Museu do Côa (2010). Com o novo milénio os espaços culturais começaram a ganhar importância na região, sendo criado, por exemplo, o Teatro de Vila Real, em 2004.

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História do Vinho do Porto

Os primeiros vestígios que indicam a existência de videiras na região, remontam à Idade do Bronze, há cerca de três mil anos. Contudo o facto de terem sido encontradas grainhas carbonizadas de vitis vinifera (espécie de videira) não significa que o cultivo da vinha fosse uma prática habitual. Durante o período de romanização a cultura da vinha teve um grande desenvolvimento, principalmente depois do século I d.C., permanecendo vestígios de lagares e adegas em várias estações arqueológicas da região.

A importância do vinho perpetua-se durante a passagem dos Suevos, Visigodos e Muçulmanos. Um vasto número de cartas de forais que foram atribuídas a várias povoações da região, durante os séculos XI e XII, já depois do nascimento do reino de Portugal em 5 de outubro de 1143, evidenciam a grande vocação vinhateira da região.

vidaboa_viagens_porto4Durante o século XIII, o Porto servia de escoamento aos vinhos durienses, ao estabelecer ligação com os mercados internacionais. Os vinhos eram levados até à Cidade Invicta, nos barcos rabelos, através do rio Douro. A exportação dos vinhos durienses começa a ganhar elevada importância durante o reinado de D. Fernando (1345-1383), no século XIV, uma vez que as principais receitas do Estado eram obtidas através dos impostos sobre a exportação. Durante o reinado de D. Manuel I (1469-1521) houve profundas alterações, devido às grandes quantidades de vinho necessárias para as expedições marítimas. O monarca ordenou que os canais de pesca no rio Douro fossem demolidos, para facilitar a navegação entre São João da Pesqueira e o Porto, tendo o fluxo da circulação fluvial aumentado consideravelmente.A exportação dos vinhos durienses começa a ganhar elevada importância, durante o reinado de D. Fernando, no século XIV, uma vez que as principais receitas do Estado eram obtidas através dos impostos sobre a exportação.
A primeira referência ao vinho do Porto deu-se em 1675 e foi proferida pelo diplomata Duarte Ribeiro de Macedo (1618-1680), durante o Discurso sobre a Introdução das Artes no Reino, referindo-se ao vinho exportado para a Holanda. França começou por ser o principal comprador dos vinhos portugueses, mas foi com o Reino Unido que estes adquiriram maior importância.

Em 1703, Portugal e o Reino Unido assinam o Tratado de Methuen, também referido como Tratado de Panos e Vinhos, que concede direitos preferenciais aos ingleses na compra dos vinhos portugueses, com a contrapartida de permitir a entrada livre de tecidos britânicos no mercado português. Com este tratado e com o grande apreço destes vinhos pelos ingleses, a região viu a sua produção intensificada, tentando dar resposta à elevada procura, o que não impediu a existência de alguns casos de falsificação dos vinhos.

A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (1756-1960) surge em 1756, para dar resposta às más relações entre produtores, comerciantes portugueses e negociantes estrangeiros, além de tentar arrancar os vinhos da região do controlo dos mercadores ingleses. Esta associação, criada pelo Marquês de Pombal, obtém a venda exclusiva do vinho do Porto, em 1807.

O Alto Douro Vinhateiro foi a primeira região vitícola regulamentada do mundo, tendo sido demarcada entre 1757 e 1761, através de grandes marcos de granito, com a palavra “Feitoria” e a respetiva data. Esta região viria a ser alargada por D. Maria I (1734-1816), entre 1788 e 1793, chegando à fronteira espanhola, em 1907, durante o governo de João Franco (1855-1929).

Em 1844 é criado um mapa da região demarcada, no qual constam as quintas proeminentes daquela época. O autor desta obra, Joseph James Forrester (1809-1861), mais conhecido por Barão Forester, foi um dos grandes pioneiros da indústria do vinho do Porto. Dedicou toda a sua vida ao Douro e foi nas suas águas que acabou por padecer, durante um naufrágio no Cachão da Valeira, em São João da Pesqueira.

Durante o século XIX, as vinhas do Douro foram vitimizadas por várias doenças, como o oídio e a filoxera, que acabaram por contribuir para um desenvolvimento na viticultura, devido a inovações biológicas e químicas, que surgiram como forma de evitar essas doenças. Ainda no mesmo século, iniciou-se a construção das linhas ferroviárias, que facilitaram a ligação entre o Porto e a fronteira de Espanha.

vidaboa_viagens_porto2Durante o Estado Novo, criaram-se a Casa do Douro, o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto e o Instituto dos Vinhos do Porto e do Douro. Após o regime totalitário foi criada a Associação de Produtores e Engarrafadores de Vinhos do Porto e do Douro, em 1986, com o intuito de permitir a entrada destes, na comercialização directa do vinho, feita a partir das quintas do Douro e em nome dos respetivos produtores.

A paisagem atual das encostas do Douro começou a ser criada na década de 70, com a aplicação de novas técnicas de plantio da vinha em patamares, com muros de xisto a delimitar cada nível.

Fonte: Douro Valley

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