Loire – História

Vale do Loire  •  Vinhos e Gastronomia  •  História

Quando os reis franceses começaram a construir os seus enormes castelos aqui, a nobreza, não querendo nem sequer se atrever a ser medida a partir da sede do poder, seguiu o exemplo. A sua presença no exuberante e fértil vale começou a atrair os melhores paisagistas.

O rei inglês Horácio Eduardo III, em 1337, reivindicou a condição de herdeiro do trono francês, por ser neto de Felipe IV, e os dois reinos entraram em conflito, iniciando-se a Guerra dos Cem Anos (1337-1453). Nos séculos XIV e XV, a dinastia dos Capetos, representada desde Filipe VI (1328) pelos Valois, foi contida em seus progressos pela Guerra dos Cem Anos, para decidir a quem pertencia as terras francesas que foram herdadas pelos reis ingleses. A guerra foi assinalada pelas derrotas de Crécy (1346), Poitiers (1356) e de Azincourt (1415). Os esforços de Carlos V (1364-1380), prudente administrador, ajudado por Du Guesclin, não conseguiram expulsar completamente os ingleses da França.

A segunda metade do século XIV foi um período marcado por várias manifestações de mal-estar social. Com uma economia deprimida, os custos da guerra continuaram a se avolumar. Durante este período os Estados Gerais, convocados pela primeira vez por Filipe V, conseguiram grande poder.

Durante o reinado do demente Carlos VI (1380-1422), o rei inglês Henrique V invadiu a França, derrotou o exército francês na batalha de Azincourt e tomou o controle da maior parte da França ao norte do Loire.

O Delfim, porém, instalara-se no Vale do Loire e dali passou a liderar a resistência francesa aos invasores. É nesse momento que aparece em cena uma camponesa mística e visionária de Domrémy: Joana d’Arc, que conseguiu desarmar uma conspiração para matar o soberano. Os regentes do ineficaz Henrique VI foram perdendo o controle dos territórios conquistados para as forças francesas, sob a liderança de Joana d’Arc.

Com a França em perigo Joana d’Arc organizou um exército completamente diferente dos exércitos feudais. Guerra era assunto para nobres e homens. Seu exército era liderado por uma mulher camponesa. Os exércitos feudais lutavam por seu senhor e seu feudo. O de Joana d’Arc era um exército nacional, que lutava pela França e por seu rei. Os franceses, agora, sentiam-se integrantes de um país. A idéia de nação estava lançada.

Joana d’Arc conseguiu do Delfim um exército de aproximadamente cinco mil homens e libertou a praça forte de Orléans (1429). Essa vitória fez Filipe, o Bom,duque de Borgonha, abandonar seus aliados ingleses e aceitar a autoridade de Carlos VII. Depois conquistou Reims, no norte do país, onde Carlos VII foi coroado segundo as antigas tradições. Carlos VII, aproveitando as discórdias da Guerra das Duas Rosas na Inglaterra, empreendeu eficaz reestruturação militar que culminará com a conquista da Aquitânia, onde Bordeaux é a capital em 1453.

Em 1430, aprisionada pelos borguinhões, Joana D’Arc foi entregue aos ingleses, em Compiègne. Foi julgada herética por um tribunal eclesiástico e queimada na fogueira, em 1431, em Rouen (ou Ruão).

O impulso, entretanto, estava dado. Os franceses, incentivados pelo martírio de Joana d’Arc, bateram os ingleses em Formigny (1450), tendo conquistado a Normandia e grande parte da Gasconha. O fim da guerra é marcado pela batalha de Castillon, em 1453, quando foi capturada a cidade de Bordeaux, o último reduto inglês. Isto significou, efetivamente, o fim da guerra, e desde então os ingleses mantiveram apenas Calais, que conservaram até 1558. Eles foram forçados a voltar sua atenção aos assuntos internos, principalmente às guerras das Rosas e desistiram de todas as reivindicações sobre a França. Nenhum tratado foi assinado de forma a assinalar o fim das hostilidades. A rivalidade anglo-francesa, no entanto, ainda perduraria por muito tempo.

A vitória francesa assinalou o rei como a mais poderosa força política na França. No fim do século XV, com a conquista da Bretanha e da Borgonha, o território francês aproximou-se da atual configuração.

Em meados do século XVI, Francisco I deslocou o centro do poder da França do Loire para a antiga capital, Paris. Com ele foi o grande arquiteto do Vale do Loire, mas continuou a ser o lugar onde a maioria da realeza francesa preferiu passar a maior parte do seu tempo.

Francisco I foi um grande mecenas e ajudou a difundir o Renascimento na França. Convidou a vir à França os grandes artistas da Itália, como Leonardo da Vinci, Rosso, Primaticcio, Benvenuto Cellini, Andrea del Sarto. Deu início ao atual palácio do Louvre, construiu ou redecorou os castelos de Fontainebleau e Chambord, foi o patrono dos poetas Marot e du Bellay. Seu mais importante serviço ao Humanismo foi ter fundado o Colégio de França ou Collège de France, que inicialmente se destinava ao ensino das línguas hebreia, grega, latina. Fundou a Imprensa real ou Imprimerie Royale.

Diana de Poitiers, dama de família de alta linhagem tinha 18 anos, tinha duas filhas, e encontrava-se em Amboise quando o segundo Franciso I, Henrique (duque d´Orléans), o conhecido rei Henrique II, ali nasceu no dia 31 de março de 1519, e foi ela quem o segurou ternamente antes de colocar o bebê, firmemente enfaixado no cueiro, nos braços da rainha (sua mãe), foi designada como mentora do Delfim Henrique, de quem se tornou amante.

De boa estirpe, culta, educada e deslumbrantemente bela, Diana compreendia o mundo dos homens: a política, o poder e o dinheiro. Ela sabia como usar sua inteligência e seu charme para agradar aqueles a quem amava.

Aos 14 anos Henrique apaixonou-se por Diane, vinte anos mais velha, esposa do condestável Louis de Brézé. Diana se encarregou de sua educação sentimental e exerceu forte influência, mesmo quando foi rei. A florentina Caterina de Médici, com quem se casou meses mais tarde, acomodar-se-á à situação, recebendo mesmo conselhos de Diana. Caterina, ao nascer, perdera sua mãe,  morta de sobreparto. O pai morreu tuberculoso, semanas depois. Era sobrinha neta do papa Leão X e de seu sucessor o papa Clemente VII, também Médici, com o qual Francisco I desejava se aliar, restaurando a paz entre a França e o papado.

Forçada à obscuridade comparativa nos 10 anos seguintes por não ter filhos, sua política consistia em manter o favor de Diana de Poitiers (1499-1566 Anet), amante do marido, e da Duquesa de Etampes, amante do sogro.

Nos primeiros 11 anos do casamento, Catarina não teve filhos. A seguir, nasceriam 10 filhos em 12 anos, dos quais três se tornarão reis da França.

Desejando continuar a política do pai, deixou-se aconselhar por Francisco de Guise, duque de Guise, e Carlos de Guise, arcebispo de Reims. Sua política externa foi agressiva, em 1549 quis retomar Boulogne dos ingleses, que a detinham há cinco anos, o que conseguiu em 1550 pois os ingleses preferiram entregá-la a enfrentar uma invasão por Montmorency. Valois e Habsburgos se enfrentaram desde 1519, de modo que para evitar o perigo representado pelo imperador Carlos V, a França intensificou relações com o sultão Solimão da Turquia, com os príncipes alemães protestantes, com a Escócia (de onde virá Maria Stuart, esposa de seu filho, o futuro Francisco II) em luta contra a Inglaterra, com a Suíça.

Com o final das guerras, melhoraram as finanças e, economicamente, os franceses conhecerão uma expansão duradoura. O rei favorecera igualmente a expansão das artes, construção de monumentos, e os artistas incorporarão, em sua expressão, a herança da Antiguidade.

Nostradamus, contemporâeno de Henrique II, Para evitar ser acusado de feitiçaria pela Inquisição, previu e escreveu, em linguagem metafórica, numa mistura desconcertante de anagramas, símbolos, francês antigo, latim e outras línguas, como se daria a morte do rei. Ele, tentou alertar Caterina de Médici, sua esposa, sobre o acidente que em breve ocorreria com o seu marido. Esta confusão propositada tem originado uma curiosa e variada série de interpretações das suas profecias.

Sobre Henrique II de França ele escreveu:

O jovem leão vencerá o velho

No campo de batalha num único combate

Trespassar-lhe-á os olhos

Na sua jaula de ouro

Duas feridas numa, padecerá de uma morte cruel

A profecia cumpriu-se 4 anos mais tarde, em 1559, quando Henrique, cujo emblema heráldico ostentava um leão, traçou uma luta amigável com um jovem oficial de nome Montgomery, capitão da Guarda Escocesa do Rei Francês. A Lança de Montgomery atravessou acidentalmente a viseira do elmo dourado que Henrique ostentava (a jaula de ouro), ferindo-o na vista e na garganta. O soberano morreu, após 10 dias de agonia. Ardeu em febre chamando, em vão, pelo nome de Diana de Poitiers que, depois do ferimento do seu bem amado, foi proibida por sua esposa, Caterina de Médici, de vê-lo novamente.

A ascensão de Luís XIV, em meados do século XVII, levou a instalação permanente do realeza quando ele construiu o Palácio de Versalhes. No entanto, aqueles que ganharam o apoio e favores do rei e da alta burguesia, continuaram a renovar os existentes ou a construir novos castelos luxuosos como a sua residência de verão, na região do Loire.

A Revolução Francesa viu um grande número de castelos franceses destruídos e muitos saquearam os seus tesouros. O empobrecimento de muitos dos nobres depostos, geralmente após um dos seus membros perderam a sua cabeça na guilhotina, fez com que muitos castelos fossem demolidos. Durante a I e a II Guerra Mundial, alguns castelos foram utilizados como Quartéis-generais militares. Alguns destes continuaram a ser utilizados desta maneira após o fim da Segunda Guerra Mundial.